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Corran por sus vidas

Alpha's Regret: The Hybrid's Royal Contract

Alpha's Regret: The Hybrid's Royal Contract

Lila
For years, Elara Park endured being called "half-breed" and "weak blood" at pack meetings. Because she was a hybrid wolf, she trusted Zack Blackwood's sweet promises. Then he rejected their fated mate bond moments after claiming her body. Before she could even breathe through the soul-crushing agony, the news was already celebrating his engagement to her vindictive stepsister, Selina. The headlines gushed about their "perfect pureblooded union." Her mother's call came like a final blow: "Elara, you're twenty-three now. It's time you contributed to the family." Marry the worthless second son of a prominent Alpha family or lose her father's empire forever. They had her trapped, ready to steal her birthright and leave her powerless. But as the heartbreak bled out, ice-cold determination took its place. Elara went to the arranged meeting at the city's most exclusive club, determined to turn her mother's matchmaking scheme to her advantage. She would agree to marriage-but on her own terms. When she found who she believed was Damian Sterling in the private suite, she cut straight to business: a contract marriage with clear boundaries, separate lives, and a guaranteed escape route. What she didn't know? The devastatingly dangerous man who'd just signed her contract with a predator's smile wasn't the pathetic playboy she expected. He was Dominic Wolfe-the Alpha King who'd been relentlessly hunting her for years. And now, she'd just signed herself over to him completely.
Werewolf AlphaSweet
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Houve entre nós um rei nascido com uma indole generosa e magnifica: foi D. Jo?o V. Favoreceu a fortuna a grandiosidade do seu animo. Durante o reinado d'este principe as entranhas da America pareciam converter-se em ouro, e a terra brotar diamantes para enriquecerem o thesouro portuguez, e o nosso primeiro rei do seculo XVIII p?de emular Luiz XIV em fasto e magnificencia. Ha, porém, differen?as entre os dous monarchas: Luiz XIV, mais guerreador que guerreiro, malbaratou o sangue de seus subditos em conquistas estereis; D.

Jo?o V, mais pacífico que timido, comprou sempre, sem olhar ao pre?o, a paz externa dos seus naturaes. Luiz XIV levou a altissimo gráu d'esplendor as letras e as sciencias: D. Jo?o V tentou-o; mas ficou muito áquem do principe francez. Devemos todavia lembrar-nos de que Luiz XIV era senhor de uma vasta monarchia, e D. Jo?o V rei de uma na??o pequena. Uma litteratura extensa e ao mesmo tempo vigorosa só apparece onde ha muitos homens. é como a grande cultura, que só pode fazer-se em opulentas propriedades e dilatados terrenos.

D. Jo?o V teve como Luiz XIV o seu Louvre; mas um Louvre em harmonia com o caracter, n?o tanto religioso como beato e hypocrita, do seu paiz n'aquella epocha. Mafra ficou duvidosa no desenho, entre o mosteiro e o palacio. As duas entidades architectonicas compenetram-se ahi d'um modo inextricavel. A púrpura está lá remendada de burel; o burel alindado com púrpura, e o sceptro do rei enla?a-se com a corda d'esparto, ao passo que a alpargata franciscana ousa pisar os degráus do throno. Os que sabem qu?o corrompidos foram os costumes em Portugal no princípio do seculo passado, e qu?o esplendido e ostentoso foi o culto divino; qu?o brilhante foi a c?rte portugueza n'esse tempo, e por qu?o frouxas m?os andou o leme do estado, n?o precisam vêr Mafra. Mafra é a imagem de tudo isso.

Um grande edificio, fosse qual fosse o destino que seu fundador lhe quizesse dar, é sempre e de muitos modos um livro de historia. Os que n'elle buscam só um typo por onde aferir o progresso ou decadencia das artes na epocha da sua edifica??o, lêem apenas um capitulo d'esse livro. Os castellos, os templos, e os palacios, triplice genero de monumentos que encerra em si toda a architectura da Europa moderna, formam uma chronica immensa, em que ha mais historia que nos escriptos dos historiadores. Os architectos n?o suspeitavam que viria tempo em que os homens soubessem decifrar nas moles de pedras affei?oadas e accumaladas a vida da sociedade que as ajuntou, e deixavam-se ir ao som das suas inspira??es, que eram determinadas pelo viver e crêr e sentir da gera??o que passava. Elles n?o sabiam, como os historiadores, que no seu livro de pedra, tambem como nos d'aquelles, se podia mentir á posteridade. Por motivo tal foi a architectura sincera.

Mafra é um monumento rico, mas sem poesia, e por isso sem verdadeira grandeza: é um monumento de uma na??o que dormita após um banquete como os de Lucullo: é o toucador de uma Lais ou Phrine assentado dentro do templo do Deus dos christ?os, e sob outro aspecto, é a beataria d'uma velha tonta, affectando a linguagem da fé ardente e profunda d'Origines ou de Tertulliano.

Sem contesta??o, Mafra é uma bagatella maravilhosa, o dixe de um rei liberal, abastado e magnifico; é pouco mais ou menos o que foi Portugal na primeira metade do seculo XVIII.

Collocai pela imagina??o Mafra ao pé da Batalha, e podereis entender quanto é clara e precisa a linguagem d'estas chronicas, lidas de poucos, em que as gera??es escrevem mysteriosamente a historia do seu viver. A Batalha é grave como o vulto homerico de D. Jo?o I, poetica e altiva como os cavalleiros da ala de Mem Rodriguez, religiosa, tranquilla, santa como D. Philippa rodeada dos seus cinco filhos. As m?os que edificaram Santa Maria da Victoria, meneando as armas em Aljubarrota, deviam ser vencedoras. A Batalha representa uma gera??o energica, moral, crente: Mafra uma gera??o afeminada, que se finge forte e grande. A Batalha é um poema de pedra: Mafra é uma semsaboria de marmore. Ambas, ecchos perennes que repercutem nos seculos que v?o passando a express?o complexa, e todavia clara e exacta, de duas epochas historicas do mesmo povo, sua juventude vi?osa e robusta, e sua velhice cachetica.

O caracter de um monumento do tempo presente n?o póde ser por certo um edificio gigante, um templo, ou um palacio. Onde as cren?as religiosas vacillam como a luz que se apaga, o templo seria uma pagina de historia fabulosa: onde a pobreza extrema substitue a riqueza, um tanto estupida e fastosa com mau gosto, o palacio esplendido seria um capitulo anachronico. O monumento deve resumir a sociedade, e em nenhum d'esses generos de memoradum se acharia representado o actual existir.

Que somos nós hoje? Uma na??o que tende a regenerar-se: diremos mais: que se regenera. Regenera-se, porque se reprehende a si propria; porque se revolve no loda?al onde dormia tranquilla; porque, se irrita da sua decadencia, e já n?o sorri sem vergonha ao insultar d'estranhos; porque principia, emfim, a reconhecer que o trabalho n?o deshonra, e vai esquecendo as visagens senhorís de fidalga. Deixai passar essas paix?es pequenas e más que combatem na arena politica, deixai fluctuar á luz do sol na superficie da sociedade esses cora??es cancerosos que ahi vêdes; deixai erguerem-se, tombar, despeda?arem-se essas vagas encontradas e confusas das opini?es! Tudo isto acontece quando se agita o oceano; e o mar do povo agita-se debaixo da sua superficie. O sarga?o immundo, a escuma fétida e turva h?o-de desapparecer. Um dia o oceano popular será grandioso, puro e sereno como sahiu das m?os de Deus. A tempestade é a precursora da bonan?a. O lago asphaltite, o Mar-Morto, esse é que n?o tem procellas.

O nosso estrebuxar, muitas vezes colerico, muitas mais mentecapto e ridiculo, próva que a Europa se enganava quando cria que esta nobre terra do ultimo occidente era o cemiterio de uma na??o cadaver. Vivemos: e ainda que similhante viver seja o delirio febril de moribundo, esta situa??o violenta, aos olhos dos que sabem vêr, é uma crise de salva??o, posto que dolorosa, e lenta. Confiemos e esperemos: o nome portuguez n?o foi riscado do livro dos eternos destinos.

Um dos signaes evidentes da restaura??o social do paiz, e ao mesmo tempo o caracter mais notavel que distingue esta epocha é o seu movimento industrial, industrial na mais extensa significa??o da palavra. Primeira entre as differentes industrias é a agricultura, e a agricultura tem incontestavelmente sido o nosso principal progresso.

Qual será portanto o monumento que melhor resuma este periodo de regenera??o? Será o aspecto do solo, o vi?o dos campos, a abundancia substituida á escaceza na morada do homem laborioso. Arroteai algumas geiras de terra: em um marco esculpi a data d'essa transforma??o: cobri a superficie de Portugal d'estes marcos. Eis ahi, n?o um, porém mil monumentos que significar?o o espirito do presente.

Plantai o bosque na serrania escalvada: que elle braceje virente para o céu, e enrede as suas raizes nas rachas da penedia. Agitada pelo vento, a selva com o seu rugir irá contando a cada seculo que nascer as tendencias laboriosas do nosso, que já come?am a apparecer. Os cimos das montanhas s?o as verdadeiras aras de Deus: é lá que oravam as na??es virgens. Sanctificai a vossa religi?o de patriotismo pelo culto universal e primitivo: o bosque murmurando com o espirar da aragem é um hymno ao Anci?o dos Dias: que este hymno nos consagre a memoria ao amor e gratid?o de nossos filhos!

Ao lado dos pa?os monasticos de Mafra, monumento de uma era de vans grandezas, vai-se hoje alevantando sem ruido o monumento modesto, mas eloquente e sancto, da idéa progressiva da actualidade. Ao lado d'essas pedras amontoadas, d'esses torre?es gigantes, macissos, e pesadamente estupidos, serpeam já os prados virentes por veigas e valles, cobertos ainda ha pouco de abrolhos e urzes. Contrastando com os lan?os de muralhas caiádas da ochre, que amarelleja bestialmente, como um cord?o de ouropel enfiado em diamantes, por entre a c?r severa dos marmores tisnados pelo tempo, vêem-se ao longo verdejar os pinheirinhos, que coroam as alturas ao norte e oriente d'aquelle edificio monstruoso, hybrido, e extravagante como uma composi??o pseudo-poetica da Phenix-Renascida. As folhas de terra cultivada dilatam-se pelas chapadas e encostas, várias na c?r segundo a altura das cearas, ou conforme a qualidade do solo, nos sitios onde ainda as sementeiras n?o surgem no comê?o do germinar. é como um xadrez enorme, cujas casas se houvessem repartido ao acaso n'um taboleiro irregular e immenso.

A vontade real fez apparecer o edificio: outras Vontades Reaes fizeram nascer a granja-modelo. Para a primeira requeria-se ouro e for?a; para a segunda intelligencia e amor do paiz. O sceptro foi robusto e potente quando amontoou aquella penedia lavrada e esculpida: o sceptro é o symbolo da paz e da beneficencia quando em vez de converter p?o em pedras, converte gandra bravia e esteril em um nobre exemplo que mostre ao povo onde está a sua derradeira esperan?a, o progresso da industria e o amor do trabalho.

Para a maravilhosa inutilidade de D. Jo?o V gastaram-se por largos annos os milh?es que de continuo nos entregava a America: o lidar accumulado de cincoenta mil homens consumiu-se em desbastar e pulir essas pedras hoje esquecidas, que apenas servem para alimentar por algumas horas a curiosidade dos que passam. é uma verdade cem vezes repetida, que o pre?o de Mafra teria coberto Portugal das melhores estradas da Europa; mas nem por ser trivial essa verdade deixa de ser dolorosa. E todavia tal pre?o era o menos! As maldicc?es submissas dos que foram arrastados de todos os angulos da monarchia, para esta grande anudúva nacional, e as lagrymas das suas familias, n?o as p?de suffocar a adula??o cortez?; transsudaram até nós nas paginas da historia, e cahindo sobre o ataúde dourado do principe que as fez verter, deixaram a inscrip??o do seu nome manchada de uma nódoa que o tempo n?o gastará.

A vasta e risonha granja que viceja ao lado do negro e carrancudo edificio n?o custou uma só mealha dos dinheiros publicos; n?o arrancou uma lagryma. N?o s?o maldic??es o seu fructo: s?o ben??os dos que vivem: ser?o no futuro ben??os da posteridade.

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