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Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto

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Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR

Word Count: 2674    |    Released on: 04/12/2017

tade do seculo dezenove, nenhum havia mais bemquisto e mais obsequiado, e poucos se a

o emprehendedor, cujo credito nas primeiras pra?as da Europa e da America, e com especialidade nos

tock banks e dos banqueiros particulares da City ou de West-End, podia-se

s, nem para empallidecer ao abalan?ar-se em veredas n?o arrot

nascentes, aventurando assim proveitosos exemplos, para serem seguidos depois, já com melhores garantias de luc

itando-a. Através das nuvens negras, que tantas vezes assombram o mundo monetario, vira-se sempre brilhar a firma do honrado Mr. Richard, com

repetir o Audaces fortuna

m parte a n?o sei que benigno espirito, ou acaso feliz, a que muitas vezes parece andar subordinada a fortuna, valera-lhe uma illimitada c

e transac??es do alto commercio portuense-festejavam-o benevolentes sorrisos, rasgadas e pressurosas reverencias, phrases de insinu

capitaes e da social liberalidade do commerciante britannico, ou-como de preferencia opinar?o os que melhor c

m desvanecer com estas homenagens

censo moral, que t?o bem formadas cabe?as atord?a, n?o sentia, no intimo, turbar-se a

volvido a cincoenta e um graus de latitude

se, tudo isso escutava friamente e sem nem sequer experimentar certa agradavel e voluptuosa titilla??o da alma-se me admittem a phrase-que em quasi t

eira, de rhum, de cognac, de kummel, de gingerbeer, e até de absintho, liba??es, que a qualquer pessoa menos inglezmente organisada amea?ariam, em pouco tempo, com as mais pav

cebia assobiando distrahidamente, mas sem a menor affecta??o, o nacional G

eem por costume semeiar lisonjas, para depois as colherem, em proveito proprio, encontrav

nteios, a certos meneios, ares e olhares convencionaes, muito á moda nas salas e qu

entimentos e nas ac??es inspiradas pelos eternos e invariaveis dictames da consciencia e da

ás vezes rude, mas nunca mesquinho e vil, podia tomar-

á contempla??o da face positiva da vida, se n?o se arroubava, como os exaltados optimistas, a considerar nos destinos futuros da humanidade, evitava tambem o estorcer

orrentes resistencias da vida effectiva, aquella qualidade de espirito, que,

-era a de n?o ser sujeito a longas mortifica??es, ou pelo menos-e com mais rig

lhe encrustára o cora??o, libertando-o da influencia dos estimulos, que mai

ophe realisavel, com for?a de alterar por muito tempo a costumada express?o physionomica de Mr. Richard, de lhe desbotar sequer o colorido vigoroso, ou,-co

ojam todos os dias ás nossas praias, é este ph

protesto mudo, mas eloquente, contra os velhos pr

, como a de Londres-a romper a custo um plumbeo céo-para verterem alegrias na alma e mandarem aos semblantes o reflexo d'ellas; imaginam fatalmente perseguidos

ou como preten

transluz no rosto illuminado dos homens de além da Mancha, os quaes parece caminharem entre nós, envolvidos em densa at

James ousasse abrir o primeiro capitulo d

England!? Alegre Inglate

aterra? Como se generalisou a infundada cre

ome peior, contra as quaes ninguem se pre

?o tinham ainda arroteado as densas florestas britannicas, seria cabido o jovial estribilho da can??o que o supracitado romancista p?z na b?ca do legendario Robin Hood, seu heroe

seja doen?a indigena da Gran-Bretanha, n?o domina t?o fat

glezas possuem sobre as de todo o

omedia ingleza? Ao clima, a esse mesmo clima, que, em contrar

imento d'esses caracteres excepcionaes e extravagantes, precioso e inesgotavel pábulo do e

os mais inglezes talvez do que uns som

igo declarado da Fran?a, apesar de certa seriedade

pragmatica ingleza o constrangia, lá lhe estava o

nto ao physico era Mr. Whites

palavras mais circum

rdem de typos masculinos, hesite em attribuir-lhes por patria a velha Albyon, a filha dos

is perfeitos exemplares da classe, achavam-se reunidos na pessoa de Mr. R

, sem grande violencia de imagem, poder-se-hia talvez comparar ás lavaredas do fogo, que lhe inflammava constantemente as faces injectadas; os dentes regulare

uasi o mesmo.-N?o falseava o

parlamento, e, de inverno, vestidura completa de gutta-percha que, n'estas épocas utilitarias e prosaicas, veio substituir as impenetraveis armaduras da idade média-taes eram as pe?as principaes do guarda-roupa do honrado negociante. Coroava finalmente tudo isto o chapéo, aquelle chapéo de fórma invariavel, castello roqueiro inaccessivel ás ondas dest

ias inglezas, Mr. Richard Whitestone n?o conseguira, ou melhor, estas influencias, com todos os outros feiticeiros attractivos da nossa terra, ainda n?o haviam conseguido de Mr. Richard Whitestone dois importantes resultados:-a adop??o dos habitos de vida peninsular, contra

que sempre que um inglez, em casos desesperados, recorre a algum idioma estranho, nunca

de regencia e de concordancia eram por elle atropelladas com uma frieza de animo, com uma fleugma, com uma impassibilidade, somente comparave

dia, a alatinada prosodia

um verdadeiro cunho britannico. Venus, a propria Venus, perderia aquellas illus?es, que

ipios interventores adoptados no seu paiz, parecia haverem-se estendido, extravagantemente, ao campo da syntaxe portugueza, levando Mr. Richard, n'um excesso de tendencia harmonisadora, a tentar n'ella concordancias de s

uava impunemente sobre os ouvidos, aliás n?o muito pechosos, dos collegas commerciaes, em cujos

peitava o sentido, mas era completamente

ndo a patria lingua, ent?o sim, ent?o era possivel que chegasse a exaltar-se a ponto de quasi amea?ar o imprudente com uma irreprehensivel applica??o da nobre sciencia dos bo

as grammaticas estrangeiras, esses, soffria-os com impassivel indiff

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Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
“Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto by Júlio Dinis”
1 Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR2 Chapter 2 MAIS DUAS APRESENTA ES, E ACABA O PROLOGO3 Chapter 3 NA AGUIA D'OURO4 Chapter 4 UM ANJO FAMILIAR5 Chapter 5 UMA MANH DE MR. RICHARD6 Chapter 6 AO DESPERTAR DE CARLOS7 Chapter 7 REVISTA DA NOITE8 Chapter 8 NA PRA A9 Chapter 9 foi, hontem mesmo, despachado para esse logar 10 Chapter 10 NO ESCRIPTORIO11 Chapter 11 JENNY12 Chapter 12 CECILIA13 Chapter 13 OUTRO DEPOIMENTO14 Chapter 14 VIDA PORTUENSE15 Chapter 15 IMMINENCIAS DE CRISE16 Chapter 16 VIDA INGLEZA17 Chapter 17 NO THEATRO18 Chapter 18 CONTAS DE CARLOS COM A CONSCIENCIA19 Chapter 19 CONTAS DE JENNY COM A CONSCIENCIA DE CARLOS20 Chapter 20 AGGRAVAM-SE OS SYMPTOMAS21 Chapter 21 MANOEL QUENTINO PROCURA DISTRAC ES22 Chapter 22 O QUE VALE UMA RESOLU O23 Chapter 23 EDUCA O COMMERCIAL24 Chapter 24 DIPLOMACIA DO CORA O25 Chapter 25 EM QUE A SENHORA ANTONIA PROCURA ENCHER-SE DE RAZ O26 Chapter 26 TEMPESTADE DOMESTICA27 Chapter 27 INEFFICAZ MEDIA O DE JENNY28 Chapter 28 O MOTIVO MAIS FORTE29 Chapter 29 FORMA-SE A TEMPESTADE EM OUTRO PONTO30 Chapter 30 OS AMIGOS DE CARLOS31 Chapter 31 PESO QUE PóDE TER UMA LEVIANDADE32 Chapter 32 O QUE SE PASSAVA EM CASA DE MANOEL QUENTINO33 Chapter 33 OS CONVIVAS DE MR. RICHARD34 Chapter 34 EM HONRA DE JENNY35 Chapter 35 MANOEL QUENTINO ALLUCINADO36 Chapter 36 A SENTEN A DO PAE37 Chapter 37 A DEFEZA DA IRM 38 Chapter 38 COMO SE EDUCA A OPINI O PUBLICA39 Chapter 39 JUSTIFICA O DE CARLOS40 Chapter 40 COR A-SE A OBRA