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Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto

Chapter 6 AO DESPERTAR DE CARLOS

Word Count: 2820    |    Released on: 04/12/2017

nde se despedira do pae. O olhar corria-lhe pelos objectos

?o sei que severidade, toda maternal, tomavam agora um ar de preoccupa??o e melancolia, uma d'essas

o intervir com a sua influencia pacificadora e angelica para dis

??es acerbas de Mr. Richard para com o filho; faltava-lhe porém o resto,

a o irm?o, tinha fé em q

confian?a por entre as som

ito que chamou André para

ubilado, que servia Mr. Whitestone desde o seu estabelecimen

a Charles que eu o e

rou no quarto. A respira??o profunda, pausada e regular den

ter da pendula vizinha, se percebia no quarto, caminhou com precau??o, bem

e, coada através das longas cortinas que, solta

rvar a completa desorde

luminar um cháos; pois difficilmente se encontraria mais apropriada express?o para designar o aspecto do aposent

escapa á mais esm

urante a noite, entrado em dan?a phantastica, de tal so

ribui??es dos guarda-roupas; estes, abertos de par em par, patenteavam o in

ira derrubada com o fardo que lhe pesou sobre o espaldar; cartas, collarinhos, retratos, len?os, chicotes. As esporas no logar do relogio; este pousado na beira do marmore do fog?o; sobre o leito, um dominó de setim; pendente á cabeceira, o jornal da vespera e um longo cachimbo com tubo de gutta-percha; aos pés polvorinho de ca?a, o robe-de-chambre de damasco e o teliz da horsa favorita; no velador, um tinteiro de prata, transformado em cinzeiro de charutos; um chapéo pendurado na chave da porta; o candieiro no ch?o, alguns livros e mappas geographicos quasi debaixo da cama. Um abat-jour de cart?o envernizado com figuras extravagantes, representando chins em posi??es todas

ndo á voz do carnaval, haviam surgido da sepultura, para virem celebrar

ecostado nas molles almofadas do sofá luxuoso, pousava as patas musculosas e pelludas sobre um magnifico album

e-se o

bem simulava os vestigios de recente lucta; depois caminhou para o leito, afastou vagarosamente, de má vontade ainda, as cortinas brancas, que o

labios, algum tanto grossos e levemente encrespados n'um sorriso, entre ironico e affectuoso, prompto a caracterisar-se com facilidade igual n'um ou n'outro d'estes sentidos; as palpebras longas, salientes e nas quaes, em curvas azuladas, transparecia uma rede de pequenas veias, e em torno ás orbitas o circulo de c?r desmaiadamente r?xa, vestigio de longas noites de agitadas vigilias; taes eram os tra?o

r, mas com voz, que parecia de

rlos-dis

baixo, e quasi a mêdo, bastou

ario movimento, com que todas as manh?s despeda?amos as ultimas cadeias com que nos algema o somno

André. Que

io

teve, acompanhada de

se habitual, e ao mesmo tempo voltou os olhos para o relogio fronteiro, o qual, co

o acabar de contal-as.-Ia até estranhar-

íu

e que

u os hombros,

ad

exprimir que algu

isto mesmo, mas n?o

ia o André, occupando-se a levantar

cordas?-respondeu-lhe Carlos

vamos, p

ava; afagou com a m?o o colossal terra-nova, que veio pousar-lhe a cabe?a nos joelhos, e abriu ao

, vendo-o pouco disposto

só café. Parece-me que inda agora termi

uer almo

uma resolu??o

as

Que objec??es l

nny espera-o n

salto sento

-chambre.-Isso n?o... n?o vês que é um dominó?... Anda... avia-te... Aquelle l

áquelle ligeiro toilette de manh?, Carlos

abitos adquiridos na infancia, quando pelos mesmos livros estudavam, formando um gracioso grupo de c

y, estendendo-lhe a m?o, que

erd?a-me; mas aquelle pateta n?

andar-te ac

sen?o, dormiri

nny, abaixando-se disfar?adamente para acari

ouvi

uv

foi por falta de cautela, poré

te. Eu n?o tinha

o! ás quatro horas! E

, ma

m? com uns modos, que

te tenho eu dito, Jenny? Fico de mal comtigo se

i por cancei

ma teimosa e o

d'isso. Dize-me: v

gora acabar esta maldita época, e depois... depois verás que hei de ficar muitas noite

; mas... é que... isso

t?o longos... Essas no

da me faz mal, fi

mim que fallo, repito; mas o pae... bem sabes, antigos habitos... gosta de nos ver reunidos todos...

até, hei de fazer o que dizes. Mas as noites de inverno! As noites de inverno, n?o obstante tudo

.. já sei... has de ach

passar aqui as suas soirées. Aquelle eterno Times, aquelle Times sem fim aterra-me, Jenny. A Biblia é um livro que respeito e admiro, mas tremo um pouco das paraphrases dos nossos reverendos lettrados; confesso que tremo. O Tristam Shandy do Sterne já o sei de cor; no Tom Jones de Fielding, quan

e Jenny, em to

alidade de Mr. Brains, Heraclito, e Democrito, inglezes que o sabor nacional tornou mais difficeis de digerir ainda, do que os proprios philosophos gregos.

s do irm?o; mas, como para diminuir o effei

hontem! Hontem, na verdade!.

na? N?o me lembrei de t

ivo para festas o fa

or opini?o d'esse dia. Nem lhes qu

... se me

que elle me encarregou, ainda ha pouco, de te entregar este relogio-d

oubei esse prazer! Ai Jenny, esta minha cabe?a! Tu ind

Charle

os ou

em justi?a, s

Carlos; é preciso que pela sua parte fa?a alguma cousa tambem. Está dito; n?o esperarei

em ser esses bailes de mascaras,

des talvez entender isto, que n?o obstante é exacto

O

c?r de violeta, pergunto a mim mesmo, Jenny, por que me conservo longe d'alli, o que me afasta das portas d'esse paraizo, voluntariamente perdido por este louco, que nem merece ser teu irm?o. Sinto vontade ent?o de soltar uma lamenta??o c

gracejar,

Outros te poderiam

u por lá, ainda hoje, até

cep??es. A noite de hontem, por exemplo, n?o me d

nt

, e se tiveres a paciencia de me escut

is temo

que já me n?o atrevo a affirmar q

y so

ndo o almo?o, que um criado

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Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
“Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto by Júlio Dinis”
1 Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR2 Chapter 2 MAIS DUAS APRESENTA ES, E ACABA O PROLOGO3 Chapter 3 NA AGUIA D'OURO4 Chapter 4 UM ANJO FAMILIAR5 Chapter 5 UMA MANH DE MR. RICHARD6 Chapter 6 AO DESPERTAR DE CARLOS7 Chapter 7 REVISTA DA NOITE8 Chapter 8 NA PRA A9 Chapter 9 foi, hontem mesmo, despachado para esse logar 10 Chapter 10 NO ESCRIPTORIO11 Chapter 11 JENNY12 Chapter 12 CECILIA13 Chapter 13 OUTRO DEPOIMENTO14 Chapter 14 VIDA PORTUENSE15 Chapter 15 IMMINENCIAS DE CRISE16 Chapter 16 VIDA INGLEZA17 Chapter 17 NO THEATRO18 Chapter 18 CONTAS DE CARLOS COM A CONSCIENCIA19 Chapter 19 CONTAS DE JENNY COM A CONSCIENCIA DE CARLOS20 Chapter 20 AGGRAVAM-SE OS SYMPTOMAS21 Chapter 21 MANOEL QUENTINO PROCURA DISTRAC ES22 Chapter 22 O QUE VALE UMA RESOLU O23 Chapter 23 EDUCA O COMMERCIAL24 Chapter 24 DIPLOMACIA DO CORA O25 Chapter 25 EM QUE A SENHORA ANTONIA PROCURA ENCHER-SE DE RAZ O26 Chapter 26 TEMPESTADE DOMESTICA27 Chapter 27 INEFFICAZ MEDIA O DE JENNY28 Chapter 28 O MOTIVO MAIS FORTE29 Chapter 29 FORMA-SE A TEMPESTADE EM OUTRO PONTO30 Chapter 30 OS AMIGOS DE CARLOS31 Chapter 31 PESO QUE PóDE TER UMA LEVIANDADE32 Chapter 32 O QUE SE PASSAVA EM CASA DE MANOEL QUENTINO33 Chapter 33 OS CONVIVAS DE MR. RICHARD34 Chapter 34 EM HONRA DE JENNY35 Chapter 35 MANOEL QUENTINO ALLUCINADO36 Chapter 36 A SENTEN A DO PAE37 Chapter 37 A DEFEZA DA IRM 38 Chapter 38 COMO SE EDUCA A OPINI O PUBLICA39 Chapter 39 JUSTIFICA O DE CARLOS40 Chapter 40 COR A-SE A OBRA