Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto

Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto

Júlio Dinis

5.0
Comment(s)
11
View
40
Chapters

Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto by Júlio Dinis

Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR

Entre os subditos da rainha Victoria, residentes no Porto, ao principiar a segunda metade do seculo dezenove, nenhum havia mais bemquisto e mais obsequiado, e poucos se apontavam como mais fleugmaticos e genuinamente inglezes, do que Mr. Richard Whitestone.

Por tal nome era em toda a cidade conhecido um abastado negociante de fino tacto commercial e genio emprehendedor, cujo credito nas primeiras pra?as da Europa e da America, e com especialidade nos vastos emporios da Gran-Bretanha, se firmava em bases de uma solidez superabundantemente provada.

Nos livros de registro do Bank of England, bem como nos de alguns Joint-Stock banks e dos banqueiros particulares da City ou de West-End, podia-se procurar com exito documentos justificativos d'este credito florescente.

N?o era Mr. Richard homem para seguir sómente caminhos batidos, nem para empallidecer ao abalan?ar-se em veredas n?o arroteadas, onde se achava a sós com os seus esfor?os e tenacidade.

Por vezes arriscára capitaes a inaugurar companhias, a plantar novos ramos de commercio, a auxiliar industrias nascentes, aventurando assim proveitosos exemplos, para serem seguidos depois, já com melhores garantias de lucro, por seus collegas, caracteres em geral cautelosos e positivos e sempre desconfiados a respeito de innova??es.

Apesar d'isso, as crises, essas derruidoras tempestades t?o frequentes na vida do commercio, tinham passado por cima da casa Whitestone, respeitando-a. Através das nuvens negras, que tantas vezes assombram o mundo monetario, vira-se sempre brilhar a firma do honrado Mr. Richard, com o esplendor tradicional; emquanto que n?o sorriram fados t?o propicios ás de muitos meticulosos e precatados, n?o obstante egoistas absten??es.

Era o caso de mais uma vez repetir o Audaces fortuna... de já estafada memoria.

Esta immunidade, em parte devida á lucida intelligencia, com a qual Mr. Richard sabia superintender nos variados negocios do seu tracto, em parte a n?o sei que benigno espirito, ou acaso feliz, a que muitas vezes parece andar subordinada a fortuna, valera-lhe uma illimitada confian?a entre todos, com quem o negocio o ligava, confian?a da qual, nem em circumstancias frivolas, se mostrou nunca indigno depositario.

O quotidiano apparecimento do negociante estrangeiro na Pra?a-nome que entre nós se dá ainda á rua dos Inglezes, principal centro de transac??es do alto commercio portuense-festejavam-o benevolentes sorrisos, rasgadas e pressurosas reverencias, phrases de insinuante amabilidade e affectuosos shake-hands, segundo o mais ou menos adiantado grau de familiaridade, que cada qual mantinha com elle.

Ninguem se dispensava de qualquer d'estas demonstra??es de estima, ou as impozesse o prestigio dos avultados capitaes e da social liberalidade do commerciante britannico, ou-como de preferencia opinar?o os que melhor conceito formam dos homens-um longo passado sem mancha, uma rectid?o e cavalheirismo, aquilatados todos os dias.

Mr. Whitestone n?o se deixava porém desvanecer com estas homenagens dos seus confrades, aliás merecidas.

Decididamente n?o era a vaidade o seu defeito dominante. Aspirando essa especie de incenso moral, que t?o bem formadas cabe?as atord?a, n?o sentia, no intimo, turbar-se a limpidez, verdadeiramente crystallina, da raz?o, n'elle pouco sujeita a esva?mentos.

Os gêlos d'aquelle cora??o, formado e desenvolvido a cincoenta e um graus de latitude septentrional, n?o se fundiam com t?o pouco.

L?as, hymnos encomiasticos, capazes, ainda que em prosa, de atemorisar as modestias menos esquivas, protestos hyperbolicos de venera??o a todo o transe, tudo isso escutava friamente e sem nem sequer experimentar certa agradavel e voluptuosa titilla??o da alma-se me admittem a phrase-que em quasi todos os filhos de Eva,-primeira e mal estreiada victima da lisonja-produzem sempre os panegyricos do merecimento proprio, entoados por b?cas alheias.

A mesma indifferen?a, a mesma, se n?o absoluta impassibilidade, estabilidade de raz?o pelo menos, com que, uns após outros, esvasiava copos de cerveja e calices do Porto e Madeira, de rhum, de cognac, de kummel, de gingerbeer, e até de absintho, liba??es, que a qualquer pessoa menos inglezmente organisada amea?ariam, em pouco tempo, com as mais pavorosas consequencias de um completo alcoolismo; essa mesma indifferen?a e impassibilidade oppunha ao effeito, n?o menos inebriante, das lisonjas de que lhe enchiam os ouvidos.

A eloquencia cortez? dos seus muitos enthusiastas mais do que uma vez a recebia assobiando distrahidamente, mas sem a menor affecta??o, o nacional God save the queen, ao qual marcava compasso com a cabe?a ou com a bengala.

N?o se dava ao trabalho de retribuir um cumprimento com outro cumprimento. Aquelles que teem por costume semeiar lisonjas, para depois as colherem, em proveito proprio, encontravam em Mr. Richard Whitestone terreno ingrato para tal genero de cultura; n?o vingavam lá.

A chamar-se delicadeza a certos requebros de linguagem, a certas subtilezas de galanteios, a certos meneios, ares e olhares convencionaes, muito á moda nas salas e que variam com as épocas, hesitar-se-hia em conceder a Mr. Richard o nome de delicado.

A delicadeza que elle praticava n?o era de facto essa. Fazia-a consistir toda, a sua, nos sentimentos e nas ac??es inspiradas pelos eternos e invariaveis dictames da consciencia e da raz?o, superiores portanto ás fluctua??es caprichosas da moda. Era uma delicadeza natural.

Verdadeiro inglez da velha Inglaterra, sincero, franco, ás vezes rude, mas nunca mesquinho e vil, podia tomar-se por uma vigorosa personifica??o do typico John Bull.

Alheio e pouco propenso á metaphysica, n?o o namoravam as transcendentes quest?es de philosophia, que preoccupam doentiamente as intelligencias da época; todo votado á contempla??o da face positiva da vida, se n?o se arroubava, como os exaltados optimistas, a considerar nos destinos futuros da humanidade, evitava tambem o estorcer-se nas garras do demonio da hypocondria, como se estorcem tantos, a quem prolongadas medita??es sobre os males que perseguem o homem acabam por envenenar o pensamento.

Possuia em compensa??o Mr. Richard, e em alto grau, para luctar contra as occorrentes resistencias da vida effectiva, aquella qualidade de espirito, que, segundo Sterne, se diz obstina??o nas más applica??es e perseveran?a nas boas.

Outra apreciavel disposi??o de animo caracterisava ainda o nosso commerciante:-era a de n?o ser sujeito a longas mortifica??es, ou pelo menos-e com mais rigor talvez-a de n?o as manifestar nos gestos ou por quaesquer signaes exteriores.

Dir-se-hia, a julgal-o pelas apparencias, que espessa camada de estoicismo lhe encrustára o cora??o, libertando-o da influencia dos estimulos, que mais dolorosamente costumam commover essa viscera de t?o numerosas sympathias.

N'este mundo, ao qual os Heraclitos dos seculos christ?os grangearam o titulo lutuoso e elegiaco de Valle de lagrimas, n?o sabia successo possivel, catastrophe realisavel, com for?a de alterar por muito tempo a costumada express?o physionomica de Mr. Richard, de lhe desbotar sequer o colorido vigoroso, ou,-como julgo se lhe chama em linguagem technica,-o colorido quente, do qual lhe vinha ao gesto certo ar de satisfa??o, despertador das mais justificadas invejas.

Nos typos inglezes, que as ondas do oceano arrojam todos os dias ás nossas praias, é este phenomeno mais vulgar do que porventura se pensa.

Cada uma d'essas figuras britannicas vale por um protesto mudo, mas eloquente, contra os velhos preconceitos de poetas e de escriptores meridionaes.

Teimam de facto estes em que s?o indispensaveis os vividos raios do nosso desanuviado sol, ou a face desassombrada da lua no firmamento peninsular, onde n?o tem, como a de Londres-a romper a custo um plumbeo céo-para verterem alegrias na alma e mandarem aos semblantes o reflexo d'ellas; imaginam fatalmente perseguidos de spleen, irremediavelmente lugubres e soturnos, como se a cada momento saíssem das galerias subterraneas de uma mina de pit-coul, os nossos alliados inglezes.

Como se enganam ou como pretendem enganar-nos!

é esta uma illus?o ou má fé, contra a qual ha muito reclama debalde a indelevel e accentuada express?o de beatitude, que transluz no rosto illuminado dos homens de além da Mancha, os quaes parece caminharem entre nós, envolvidos em densa atmosphera de perenne contentamento, satisfeitos do mundo, satisfeitos dos homens e, muito especialmente, satisfeitos de si.

Nem é para admirar que o romancista inglez James ousasse abrir o primeiro capitulo de um romance seu com a seguinte exclama??o:

?Merry England! Oh, merry England!? Alegre Inglaterra! oh! alegre Inglaterra!

E por que se n?o ha de chamar alegre á Inglaterra? Como se generalisou a infundada cren?a de que o inglez é por for?a melancolico?

é uma d'estas abus?es, para lhe n?o dar nome peior, contra as quaes ninguem se precavê com sufficiente criterio philosophico.

Repare o leitor imparcial para qualquer dos membros da colonia ingleza, á qual Mr. Richard Whitestone pertencia, e verá que nem só nos tempos em que a civilisa??o e a industria n?o tinham ainda arroteado as densas florestas britannicas, seria cabido o jovial estribilho da can??o que o supracitado romancista p?z na b?ca do legendario Robin Hood, seu heroe:-?Ho, merry England, merry England, ho?; póde ainda cantar, através dos nevoeiros e do fumo das fabricas, o inglez moderno, fiel depositario d'aquelle folgado caracter nacional.

Eu tenho ha muito como ponto de fé, que ainda que o spleen seja doen?a indigena da Gran-Bretanha, n?o domina t?o fatalmente sob o céo Londrino, como muitos parece imaginarem.

Dryden affirma que as comedias inglezas possuem sobre as de todo o mundo incontestavel superioridade.

E querem saber a que attribuem alguns esta superioridade da comedia ingleza? Ao clima, a esse mesmo clima, que, em contrario, tantos accusam de fomentador de hypocondrias e suicidios.

O clima inconstante da Inglaterra, explicam aquelles, é proprio para favorecer o desenvolvimento d'esses caracteres excepcionaes e extravagantes, precioso e inesgotavel pábulo do espirito comico da Gran-Bretanha.-A jovialidade dá-se muito bem n'aquelle poderoso imperio.

Tom Jones e o proprio Falstaff s?o typos mais inglezes talvez do que uns sombrios caracteres, que Byron p?z á moda.

Ora Mr. Richard, o corajoso leitor do Times, o inimigo declarado da Fran?a, apesar de certa seriedade de conven??o, era metal inglez, livre de toda a liga.

Nos maiores empertigamentos, a que o respeito pela pragmatica ingleza o constrangia, lá lhe estava o gesto a denunciar, que era artificial tudo aquillo.

Emquanto ao physico..., emquanto ao physico era Mr. Whitestone caracterisadamente inglez.

N?o supprir?o estas palavras mais circumstanciada descrip??o?

N?o ha entre nós quem, ao ver por ahi, nos maiores e mais mesclados ajuntamentos, certa ordem de typos masculinos, hesite em attribuir-lhes por patria a velha Albyon, a filha dos nevoeiros, a rainha dos mares, a terra dos meetings, dos puddings e de muitas cousas mais?

Pois bem, todos esses caracteres, todos esses signaes distinctivos dos mais perfeitos exemplares da classe, achavam-se reunidos na pessoa de Mr. Richard Whitestone, como certid?o de naturalidade, limpa da menor vicia??o.

Era aquella conhecida tez, quasi c?r de tijolo; aquelles olhos azues, á flor do rosto, a resplandecerem como saphiras; aquelles cabellos e suissas ruivas, que, sem grande violencia de imagem, poder-se-hia talvez comparar ás lavaredas do fogo, que lhe inflammava constantemente as faces injectadas; os dentes regulares, como enfiaduras de perolas, e alvos, como os caramélos das montanhas; a postura erecta; os movimentos promptos, e no rosto o tal continuado ar de satisfa??o.

Do vestuario podia dizer-se quasi o mesmo.-N?o falseava o typo. Era ainda inglez de lei.

Um pequeno fraque de panno azul, fabricado nas melhores officinas de Yorkshire ou do West of England; as cal?as, curtas e estreitas, dentro das quaes as descarnadas tibias podiam fazer o effeito do embolo em corpo de pneumatica; as botas esguias e compridas, onde a elegancia era sacrificada á solidez; gravata e collete alvissimos, como os de um lord do parlamento, e, de inverno, vestidura completa de gutta-percha que, n'estas épocas utilitarias e prosaicas, veio substituir as impenetraveis armaduras da idade média-taes eram as pe?as principaes do guarda-roupa do honrado negociante. Coroava finalmente tudo isto o chapéo, aquelle chapéo de fórma invariavel, castello roqueiro inaccessivel ás ondas destruidoras da moda; baluarte inabalavel no meio dos ventos encontrados dos humanos caprichos; o chapéo, cujo molde classico dá a um grupo de inglezes um aspecto, que é só d'elles; o chapéo, express?o symbolica da indole industrial e fabril da famosa ilha, pois desperta lembran?as das chaminés, que ouri?am o panorama das suas mais manufactureiras cidades.

Respirando, havia mais de vinte annos, a atmosphera perfumada do nosso clima meridional, e bebendo, em todo este tempo, da propria fonte o predilecto das mesas britannicas, o genuino Portwine-esse nectar, cujo aroma, ainda mais que os da nossa atmosphera, é grato ás pituitarias inglezas, Mr. Richard Whitestone n?o conseguira, ou melhor, estas influencias, com todos os outros feiticeiros attractivos da nossa terra, ainda n?o haviam conseguido de Mr. Richard Whitestone dois importantes resultados:-a adop??o dos habitos de vida peninsular, contra os quaes antes reagia sempre com a inteira inflexibilidade de suas fibras britannicas, e o respeito á grammatica portugueza, que, em todas as quatro partes, maltratava com uma irreverencia, com um desplante de bradar aos céos e de desafiar os rigores da férula mais indulgente.

N?o desmentia Mr. Richard a asser??o do auctor das Lendas e Narrativas, quando affirma que sempre que um inglez, em casos desesperados, recorre a algum idioma estranho, nunca o faz, sem o torcer, estafar, e mutilar com toda a barbaridade de um verdadeiro Kimbri.

De facto, as cinzas de Lobato e de Madureira deviam agitar-se na sepultura sempre que Mr. Whitestone fallava, porque as regras mais triviaes de regencia e de concordancia eram por elle atropelladas com uma frieza de animo, com uma fleugma, com uma impassibilidade, somente comparaveis ás de um membro do Jockey-Club, ao passar com o cavallo por cima do corpo de algum transeunte inoffensivo ou competidor derrubado na arena.

N?o era mais feliz a prosodia, a alatinada prosodia d'este recanto peninsular.

As combina??es grammaticaes de Mr. Richard, ao fallar a nossa lingua, saíam marcadas com um verdadeiro cunho britannico. Venus, a propria Venus, perderia aquellas illus?es, que nos refere o cantor dos Lusiadas, se porventura ouvisse o portuguez que elle pronunciava.

Transparecia de alguma sorte nas ora??es do seu discurso o credito liberal de um verdadeiro cidad?o de Londres. O espirito conciliador e ordeiro, o constitucionalismo arreigado n'aquelle animo inglez, e adhes?o aos principios interventores adoptados no seu paiz, parecia haverem-se estendido, extravagantemente, ao campo da syntaxe portugueza, levando Mr. Richard, n'um excesso de tendencia harmonisadora, a tentar n'ella concordancias de substantivos e adjectivos contra a absoluta e insuperavel repugnancia de generos e de numeros; e a modificar a constitui??o grammatical de um paiz alliado, como a Inglaterra gosta de modificar a sua constitui??o politica.

O effeito reunido d'aquella prosodia e syntaxe era ás vezes de uma resultante comica que n?o actuava impunemente sobre os ouvidos, aliás n?o muito pechosos, dos collegas commerciaes, em cujos labios sorrisos de malicia mal disfar?ada vinham por instantes afugentar a sisudez de profiss?o.

Mr. Whitestone percebia-os e bem lhes suspeitava o sentido, mas era completamente indifferente ao que percebia e suspeitava.

Se o contradissessem na pronuncia de uma palavra ingleza, embora das mais controvertidas, se descobrisse um sorriso nos circumstantes, na occasi?o em que elle estivesse fallando a patria lingua, ent?o sim, ent?o era possivel que chegasse a exaltar-se a ponto de quasi amea?ar o imprudente com uma irreprehensivel applica??o da nobre sciencia dos boxers, quasi divina arte do s?co, que, desde Jack Brougton, tem sido cultivada em Londres ?com fanatismo e ensinada com talento?-textuaes palavras de um escriptor ex-professo.

Mas os sorrisos, que lhe valiam as atrocidades praticadas por elle nas grammaticas estrangeiras, esses, soffria-os com impassivel indifferen?a e n?o sei até se com certos vislumbres de orgulho e regosijo.

Continue Reading

Other books by Júlio Dinis

More

You'll also like

Secret Triplets: The Billionaire's Second Chance

Secret Triplets: The Billionaire's Second Chance

Roderic Penn
4.5

I stood at my mother’s open grave in the freezing rain, my heels sinking into the mud. The space beside me was empty. My husband, Hilliard Holloway, had promised to cherish me in bad times, but apparently, burying my mother didn't fit into his busy schedule. While the priest’s voice droned on, a news alert lit up my phone. It was a livestream of the Metropolitan Charity Gala. There was Hilliard, looking impeccable in a custom tuxedo, with his ex-girlfriend Charla English draped over his arm. The headline read: "Holloway & English: A Power Couple Reunited?" When he finally returned to our penthouse at 2 AM, he didn't come alone—he brought Charla with him. He claimed she’d had a "medical emergency" at the gala and couldn't be left alone. I found a Tiffany diamond necklace on our coffee table meant for her birthday, and a smudge of her signature red lipstick on his collar. When I confronted him, he simply told me to stop being "hysterical" and "acting like a child." He had no idea I was seven months pregnant with his child. He thought so little of my grief that he didn't even bother to craft a convincing lie, laughing with his mistress in our home while I sat in the dark with a shattered heart and a secret life growing inside me. "He doesn't deserve us," I whispered to the darkness. I didn't scream or beg. I simply left a folder on his desk containing signed divorce papers and a forged medical report for a terminated pregnancy. I disappeared into the night, letting him believe he had successfully killed his own legacy through his neglect. Five years later, Hilliard walked into "The Vault," the city's most exclusive underground auction, looking for a broker to manage his estate. He didn't recognize me behind my Venetian mask, but he couldn't ignore the neon pink graffiti on his armored Maybach that read "DEADBEAT." He had no clue that the three brilliant triplets currently hacking his security system were the very children he thought had been erased years ago. This time, I wasn't just a wife in the way; I was the one holding all the cards.

The Billionaire's Blind Bride: No Mercy

The Billionaire's Blind Bride: No Mercy

Emma
5.0

I married Clive Harrington, the coldest billionaire in Manhattan, under a strict contract that forbade any emotional burdens. When I needed a high-risk surgery to save my sight, I checked into the clinic alone, hiding the procedure from a husband who saw me as nothing more than a legal asset. I thought I could handle the darkness in silence. But while I was blind and bandaged in my hospital bed, my biological mother called, screaming that if I didn't produce a Harrington heir by the end of the fiscal year, she would cut off the life-saving treatments for my disabled sister. I was crawling on the cold hospital floor, desperately feeling for a cane I had dropped, when I touched a pair of expensive leather shoes. It was Clive. He was supposed to be in London closing a multi-million dollar deal, but there he was, watching his "contract wife" groveling in the dark like a beggar. He didn't walk away in disgust. He carried me to a five-thousand-dollar-a-night VIP suite and sat by my bed, listening in chilling silence as another voicemail from my mother filled the room, calling me a "useless broodmare" who was only worth the trust fund disbursements my marriage secured. I expected him to remind me of Clause 34B or hand me divorce papers now that I was "damaged goods." Instead, I felt his thumb brush a stray tear from my cheek, his presence shifting from a statue of ice into a predatory shield. "I thought I was just currency to you," I whispered, my voice trembling behind the gauze. "Just an investment." Clive didn't answer with words. He picked up his phone and called his head of legal with a single, terrifying command: "Kill the Douglas family’s credit lines. Every debt, every lien—trigger them all. If they want a war, I’ll give them a massacre." As he leaned down to kiss my bandaged forehead, I realized the contract was dead. My husband wasn't protecting an asset anymore; he was hunting the people who had dared to touch what belonged to him.

The Ghost Wife's Billion Dollar Tech Comeback

The Ghost Wife's Billion Dollar Tech Comeback

Huo Wuer
4.5

Today is October 14th, my birthday. I returned to New York after months away, dragging my suitcase through the biting wind, but the VIP pickup zone where my husband’s Maybach usually idled was empty. When I finally let myself into our Upper East Side penthouse, I didn’t find a cake or a "welcome home" banner. Instead, I found my husband, Caden, kneeling on the floor, helping our five-year-old daughter wrap a massive gift for my half-sister, Adalynn. Caden didn’t even look up when I walked in; he was too busy laughing with the girl who had already stolen my father’s legacy and was now moving in on my family. "Auntie Addie is a million times better than Mommy," my daughter Elara chirped, clutching a plush toy Caden had once forbidden me from buying for her. "Mommy is mean," she whispered loudly, while Caden just smirked, calling me a "drill sergeant" before whisking her off to Adalynn’s party without a second glance. Later that night, I saw a video Adalynn posted online where my husband and child laughed while mocking my "sensitive" nature, treating me like an inconvenient ghost in my own home. I had spent five years researching nutrition for Elara’s health and managing every detail of Caden’s empire, only to be discarded the moment I wasn't in the room. How could the man who set his safe combination to my birthday completely forget I even existed? The realization didn't break me; it turned me into ice. I didn't scream or beg for an explanation. I simply walked into the study, pulled out the divorce papers I’d drafted months ago, and took a black marker to the terms. I crossed out the alimony, the mansion, and even the custody clause—if they wanted a life without me, I would give them exactly what they asked for. I left my four-carat diamond ring on the console table and walked out into the rain with nothing but a heavily encrypted hard drive. The submissive Mrs. Holloway was gone, and "Ghost," the most lethal architect in the tech world, was finally back online to take back everything they thought I’d forgotten.

Chapters
Read Now
Download Book
Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto Júlio Dinis Literature
“Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto by Júlio Dinis”
1

Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR

04/12/2017

2

Chapter 2 MAIS DUAS APRESENTA ES, E ACABA O PROLOGO

04/12/2017

3

Chapter 3 NA AGUIA D'OURO

04/12/2017

4

Chapter 4 UM ANJO FAMILIAR

04/12/2017

5

Chapter 5 UMA MANH DE MR. RICHARD

04/12/2017

6

Chapter 6 AO DESPERTAR DE CARLOS

04/12/2017

7

Chapter 7 REVISTA DA NOITE

04/12/2017

8

Chapter 8 NA PRA A

04/12/2017

9

Chapter 9 foi, hontem mesmo, despachado para esse logar

04/12/2017

10

Chapter 10 NO ESCRIPTORIO

04/12/2017

11

Chapter 11 JENNY

04/12/2017

12

Chapter 12 CECILIA

04/12/2017

13

Chapter 13 OUTRO DEPOIMENTO

04/12/2017

14

Chapter 14 VIDA PORTUENSE

04/12/2017

15

Chapter 15 IMMINENCIAS DE CRISE

04/12/2017

16

Chapter 16 VIDA INGLEZA

04/12/2017

17

Chapter 17 NO THEATRO

04/12/2017

18

Chapter 18 CONTAS DE CARLOS COM A CONSCIENCIA

04/12/2017

19

Chapter 19 CONTAS DE JENNY COM A CONSCIENCIA DE CARLOS

04/12/2017

20

Chapter 20 AGGRAVAM-SE OS SYMPTOMAS

04/12/2017

21

Chapter 21 MANOEL QUENTINO PROCURA DISTRAC ES

04/12/2017

22

Chapter 22 O QUE VALE UMA RESOLU O

04/12/2017

23

Chapter 23 EDUCA O COMMERCIAL

04/12/2017

24

Chapter 24 DIPLOMACIA DO CORA O

04/12/2017

25

Chapter 25 EM QUE A SENHORA ANTONIA PROCURA ENCHER-SE DE RAZ O

04/12/2017

26

Chapter 26 TEMPESTADE DOMESTICA

04/12/2017

27

Chapter 27 INEFFICAZ MEDIA O DE JENNY

04/12/2017

28

Chapter 28 O MOTIVO MAIS FORTE

04/12/2017

29

Chapter 29 FORMA-SE A TEMPESTADE EM OUTRO PONTO

04/12/2017

30

Chapter 30 OS AMIGOS DE CARLOS

04/12/2017

31

Chapter 31 PESO QUE PóDE TER UMA LEVIANDADE

04/12/2017

32

Chapter 32 O QUE SE PASSAVA EM CASA DE MANOEL QUENTINO

04/12/2017

33

Chapter 33 OS CONVIVAS DE MR. RICHARD

04/12/2017

34

Chapter 34 EM HONRA DE JENNY

04/12/2017

35

Chapter 35 MANOEL QUENTINO ALLUCINADO

04/12/2017

36

Chapter 36 A SENTEN A DO PAE

04/12/2017

37

Chapter 37 A DEFEZA DA IRM

04/12/2017

38

Chapter 38 COMO SE EDUCA A OPINI O PUBLICA

04/12/2017

39

Chapter 39 JUSTIFICA O DE CARLOS

04/12/2017

40

Chapter 40 COR A-SE A OBRA

04/12/2017