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Cartas de Inglaterra

Chapter 4 O NATAL

Word Count: 2039    |    Released on: 06/12/2017

ferece, por um dia de calma ardente, a pra?a deserta de uma villa pobre, ou d'essa melancholia que infu

que amea?a ensanguentar toda a Africa do Sul n'uma guerra de ra?as; nem a situa??o da Irlanda, que já n?o é governada pela Inglaterra, mas pelo comité revolucionario da Liga Agraria-seriam inquieta??es sufficientes para tirar o sabor tradicional ao plum-puddi

sobre uma immensa pe?a de seda azul desbotada, um Natal sem neve, um Natal sem casacos de pelles, parece t?o insipido e t?o desconsolado como seria em Portugal a n

oso Natal inglez, basta examinar alguma das pintur

perder de vista tudo está coberto da neve cahida, uma neve branca, f?fa, alta, que faz nos campos um grande silencio. Junto á grade do parque, uma mulher e duas crean?as, atabafadas nos seus farrapos,

justamente n'essas janellas

ropheus de ca?a, apparecem adornados das verduras do Natal, das ramagens sagradas do carvalho celtico; e pelas paredes, em lettras douradas ondeiam

do Natal: a sua luz rica faz parecer de ouro os

des lustres balan?a-se o ramo symbolico do mistletoe, o ramo do amor domestico: e ai das senhoras que um momento pararem sob a sua ramagem! Quem assim as surprehender tem direito a beija-las n'um grande abra?o! Tambem, qu

gleza, em que se falla de torneios e cavalleiros, ou uma dan?a

to Claus, o veneravel Santo Claus, que tem trez mil annos de edade e um cora??o de pomba, e que já a essa hora vem caminhando pela neve da estrada, rindo com os seus velhos bot?es, apoiado ao seu cajado, e com os alforges che

para o pé do lume, a esfregar-lhe as decrepitas m?os regeladas, a offerecer-lhe uma ta?a de prata cheia de

cem pelas consoadas, o meu predile

o lá está sobre o seu pedestal, ao centro da meza-que lhe p?e em torno, com os crystaes e o

s de frade, o olho magan?o e jovial, esgar?a a bocca n'um riso de felicidade sem fim, e as suas enormes barbas d

-lhe de escarlates, as barbas parecem crescer-lhe, e alli está, bonacheir?o e veneravel, com

ouco a grade se abrirá, e virá um criado, vergando ao peso de toda a sorte de cousas b?as, pe?as de carne, empadas, vinho, queijos-e mesmo bonecas par

lume n?o tem poesia intima; n?o ha l?as; Santo Claus n?o vem; o papá Natal parece um boneco insipido; n?o se colhe o mistletoe. N?o ha mesmo a alegria de abrir a janella e p?r no rebor

o bem, se nas cabanas houve mais algum conforto e se se n?o tiritou toda a noite entr

tos melhores de fraternidade e de sympathia universal, e que a consciencia da miseria em que se debatem tantos milhares de creaturas, volta com uma amargura maior. Basta ent?o vêr uma pobre crean?a, pasmada deante da vitrine de uma loja, e com os olhos em lagrimas para uma boneca de pataco, que ella nunca poderá apertar nos seus miser

mos exactamente celebrando, amea?ou-n'os, n'uma palavra immortal, que teriamos sempre pobres entre nós. Tem-se pr

ster está retirando annualmente, do trabalho duro que elles fazem, quatrocentos contos de reis de renda! é verdade que a Irlanda está em revolt

de novo a soffrer a fome e o frio-e o filho do duque de Leicester, duque e

burguezia farta; mas surge logo das entranhas da sociedade um proletariado peior. Jesus tinha raz?o: ha

progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingenuo de provincia é que ainda considera progresso a inven??o ociosa d'esses bonec

pámos a uma certa altura de civiliza??o; mas depois te

uma pagina de Virgilio; como escultura e architectura, somos grotescos; nenhum millionario é capaz de jantar como Lucullus; agitavam-se em Athenas ou Roma mais ideias superiores n'um só dia do que nós inventamos n'um seculo; os nossos exercitos fazem rir, comparados ás legi?es de

or ao seu veneravel pae-o macaco: excepto em duas coisa

tir a fatal indulgencia que o levou a poupar Noé; se n?o f?sse o egoismo senil d'esse patriarcha borracho, qu

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