a o dr. Trigueiros houvera sempre n'aquelle
s, lia?as de intestinos, cabe?as de perfil ?com o recheio á mostra?. Uma noite mesmo rompera pela sala em triumpho, a mostrar ás Silveiras, ao Euzebio, a pavorosa lithographia de um feto de seis mezes no utero materno. D. Anna recuou
nt?o que tem? diz
da Maia!? exclamou D.
e é a ignorancia... Deixar lá o rapaz. Tem curiosidade de saber
rlos come?ou a apparecer-lhe como um libertino ?que já sabia coisas?; e n?o conse
e, lamentando, sim, que n?o houvesse mais recato, concordavam q
esto prophetico o dr. Trigueir
ecia
vendo alvejar entre as dobras d'um casaco o riso d'uma caveira: e se algum criado da quinta adoecia, lá estava Carlos logo revolvendo o caso em velhos livros de medicina da livraria
s senhoras sobretudo lamentavam que um rapaz que ia crescendo t?o formoso, t?o bom cavalleiro, viesse a estragar a vida receitando emplastros, e sujand
a profiss?o é para a exercer com sinceridade e com ambi??o, como os outros. Eu n?
lhe parece a v. exc.a que ha outras coisas, importantes tambem,
que a occupa??o geral é estar doente, o maior se
ara tudo, murmurou respe
linica, as existencias que se salvam com um golpe de bisturí, as noites veladas á beira de um leito, entre o terror de uma familia, dando grandes bat
?as de cottage inglez, ornada de persianas verdes, toda fresca entre as arvores. Um amigo de Carlos (um certo Jo?o da Ega) poz-lhe o nome de ?Pa
lia Proudhon, Augusto Comte, Herbert Spencer, e considerava tambem o paiz uma choldra ignobil-os mais rigidos revolucionarios come?aram a vir aos P
k, lado a lado, o Serra Torres, um monstro que já era addido honorario em Berlim e todas as noites punha casaca, e o
aziam um whist sério: e no sal?o, sob o lustre de crystal, com o Figaro, o Times e as Revistas de Paris e de Londres espalhadas pelas mesas, o Gamacho ao piano tocando Chopin ou Mozart, os litteratos estirados pelas poltronas-havia ruidosos e ardentes cavacos, em que a Democracia, a Arte, o Positivismo, o Realismo,, a pintura a oleo: e compoz contos archeologicos, sob a influencia da Salammb?. Além d'isso todas as tardes passeava os seus dois cavallos. No segundo anno levaria um R se n?o fosse t?o conhecido e rico. Tremeu, pensando no desgosto do av?: moderou a dissipa??o intellectual, aca
o, regelavam a sala. Pouco a pouco, porém, vendo-o apparecer em chinelas e de cachimbo na boca, estirar-se na poltrona com ares sympathicos de patriarcha bohemio, discutir arte e litteratura, contar anecdotas do seu tempo d'Inglaterra e d'Italia, come?aram a consideral-o como um camarada de ba
luxo dormiam sob os castanheiros. Mas a existencia n'este meio rico n?o era agora t?o alegre: a viscondessa, cada dia mais nutrida, cahia em somnos congestivos logo depois do jantar; o Teixeira primeiro, a Gertrudes depois, tinham morrido, ambos de pleurizes, ambos no entrudo: e já se n?o via tambem á mesa a bondosa face do abbade, que lá jazia sob uma cruz de pedra, entre os goivos e as rosas de todo o anno. O dr. juiz de direito com a sua concertina passára para a Rela??o do Porto; D. An
o?o da Ega, a quem Affonso da Maia se affei?oára muito, por elle e pela sua originalidade, e por ser sobr
uma no??o vaga do que o Jo?ozinho fizera, todo esse tempo, em Coimbra. O capell?o affirmava-lhe que tudo havia de acabar a contento, e que o menino seria um dia doutor como o papá e como o titi: e esta promessa bastava á boa senhora, que
das terras, o culto de Satanaz. O esfor?o da intelligencia n'este sentido terminou por lhe influenciar as maneiras e a physionomia; e, com a sua figura esgrouviada e sêcca, os pêllos do bigode arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito-tinha realmente alguma coisa de rebelde e de satanico. Desde a sua entrada na Universidade renovára as tradi??es da antiga
oneca e por uns lindos olhos verdes. A ella o que a fanatisára f?ra o luxo, o groom, a egoa ingleza de Carlos. Trocaram-se cartas; e elle viveu semanas banhado na poesia aspera e tumultuosa do primeiro amor adult
perninhas r?xas de frio, e rindo na clara luz-rindo todo elle, pelos olhos, pelas covinhas do queixo, pelas duas rosas das faces. O pae amparava-o; e o encanto, o cuidado com que o rapaz ia assim guiando os passos do seu filho, impressionou Carlos. Era no momento em que elle lia Michelet-e enchia-lhe a alma a venera??o litteraria da santidade domestica. Sentiu-se
nacion. Carlos alugou-lhe ao mez uma vittoria com um cavallo branco e Encarnacion fanatisou Coimbra como a appari??o d'uma Dama das Camelias, uma fl?r de luxo das civilisa??es superiores. Pela Cal?ada, pela est
estudante de theologia, rude e sebento transmontano, quiz casar com ella. Apesar das instancias de Carlos, Encarnacion recus
m os Medina-C?li: os seus sapatos de setim verde eram t?o antipathicos como a sua voz estridula: e quando tentava elevar-se ás conversa??es que ouvia, rompia a chamar ladr?es aos republicanos, a celebrar os tempos de D. Isabel, a sua g
no Theatro Academico. Ahi estava, emfim, um pretexto! E, convenientemente paga, a parenta dos Medina-C?li, o
vára o seu ultimo R no seu ultimo anno, n?o descansou, em mangas de camisa, pendurando lanternas venezianas pelos ramos, no trapesio e em roda do po?o, para a illumina??o da noite. Ao jantar, a que assistiam lentes, Villa?a, enfiado e tremulo, fe
segundo as circumstancias! A que parte remota d'estes reinos n?o chegou já a fama do seu genio, do seu dog-cart, do sebaceo accessit que lhe ennod?a
arvores do quintal, na sala atulhada de pilhas de pratos, os criados correram com salvas de d?ce, n?o cessou d'estal
oisa, ter
iera de Inglaterra, onde andava, dizia elle, a estudar a admiravel organisa??o dos hospitaes de crian?as. Assim era: mas passeava tambem por Brighton, apostava nas corridas de Goodwood, fazia um idyllio errant
, outras de instrumentos e apparelhos, toda uma bibliotheca e todo um laborator
ndes idéas de trabalho,
am magro e triste. E o cora??o batia-lhe forte, na linda manh? de outono, quando do terra?o do Ramalhete, de binoculo na m?
o Villa?a-n?o se fartavam d'admirar ?o bem que a viagem fizera a
'elle e mais graves. Trazia a barba toda, muito fina, castanho-escura, rente na face, agu?ada no queixo-o que lhe dava, com o bonito bigode arqueado aos cantos da boca, uma physionomia de bello cavalleiro da Renascen?a. E o av?, cujo
omento de silencio em que Carlos estivera bebendo
do e pousando o copo. Descan?ar primeiro
obiando com enthusiasmo. Pelo ch?o, pelos sophás, alastrava-se toda uma litteratura em rumas de volumes graves; e aqui e além, por entre a palha, através das lonastu accommod
balhos chimicos, uma sala disposta para estudos anatomicos e physiologicos, a sua bibliot
minavam-se ouvindo e
ro, Carlos! Nós fizemos n'estes ultimos
alavras, av?! Rep
tensas e vagas; ora pensava n'uma larga clinica; ora na composi??o macissa de um livro iniciador; algumas vezes em experiencias physiologicas, pacientes e reveladoras... Sentia em si, ou suppunha sentir, o tumulto de uma for?a, sem lhe discernir a linha d'applica??o. ?Alguma cousa de brilhante,? como elle dizia: e isto para elle, hom
o; e o procurador, muito lisongeado, jurou uma diligencia incan?avel
to dar consultas, mesmo gratuitas, como caridade e como pratica. Ent?
a de apparelhos, machinas, cous
mou Affonso. Já meu pae dizia:
u senhor, affirmou o proc
ra o laboratorio, um antigo armazem, vasto e retirado,
, n?o é aqui, nem acolá; é n
o seu anniversario natalicio vinha annunciado no Illustrado, ou quando no Centro citava com applauso a Belgica) parecia-lhe que tantas aptid?es mereciam do seu partido uma cadeira em S. Bento. Um consultorio
grava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Rouen, quadros de muita c?r, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de collec??es
alhete, o Cruges, o marquez de Souzellas, com quem percorrera a Italia-vieram vêr estas maravilhas. O Cruges correu uma escala no piano e achou-o abominavel; Taveira absorveu-se nas photographias d'actrizes; e a
cal
ar o consultorio nos jornaes; quando viu porem o seu nome em letras grossas, entre o de uma eng
ormar aquelle espa?o em fresco jardinete inglez; e a porta do casar?o encantava-o, ogival e nobre, resto de fachada d'ermida, fazendo um accesso veneravel para o seu sanctuario de sciencia. Mas dentro os trabalhos arrastavam-se sem fim; sempre um vago martellar pregui?oso n'uma poeira alvadia; sempre as mesmas co
sonho, de fallar doce, muito barbeado, muito lavado, que morava ao pé do Ramalhete, e tinha no bairro fama de republicano. Carlos, por sympathia, como visinho, apertava-lhe sempr
s, olhando a fresca, honrad
um navio, um s
na
asse pela barra fóra o rei, a familia real, a cambada dos minis
ás vezes argume
mo t?o exactamente diz, desapparecesse pela barra fóra, fic
primida a cambada, n?o via s. ex.a? Ficava o paiz desatravancado; e
sa gente; é muita somma de ignorancia. N?o sabem. N?o s
o relogio e despedindo-se d'elle com um valente shakehands, veja s
a vêr a differen?a, respondia o
o av? já na sala de jantar, acabando de percorrer algum jornal junto ao fog?o, onde a tepida suavi
os apainelados corriam scenas de ballada, ca?adores medivaes soltando o falc?o, uma dama entre pagens alimentando os cysnes de um lago, um cavalleiro de
de ramo. Era alli, no aroma das rosas, que o veneravel gato gostava de lamber, com o seu vagar estupido, as sopas de leite servidas n'um covilhete de Strasburgo, depois agachava-se, tr
heiro de mau genio, todo bonapartista, muito parecido com o imperador, e que se chamava Mr. Theodore. Os almo?os no Ramalhete eram sempre delicados e longos; depois, ao café, ficavam ainda conversand
, ao trabalh
, invejava-lhe aquella occupa??o, emquant
iver acabado, talvez vá para lá pas
rande chimico. O a
ho so
o dá nada, filho. Es
ylonia? perguntava Carlos, abotoand
a de tr
prova
no phaeton com que maravilhava Lisboa, Carlos lá pa
rno da jardineira estendiam os seus bra?os, amaveis e convidativas; o teclado branco do piano ria e esperava, tendo abertas por cima as Can??es de Gounod; mas n?o apparecia jámais um doente. E Carlos,-exactamente como o creado que, na ociosidade da antecama
e cidade pregui?osa, esse ar avelludado de clima rico, pareciam ir penetrando pouco a pouco n'aquelle abafado gabinete e resvelando pelos velludos pesados, pelo verniz dos moveis, envolver Carlos n'uma indolencia e n'uma dormencia... Com a cabe?a na almofada, fumando, alli ficava, n'essa quieta??o de sesta, n'um scismar que se ía desprendendo, vago e
rro? ía pergun
luvas, descia, bebia um largo sorvo de luz e a
per
dos Dois Mundos na m?o, elle ouviu um rumor na antecamara, e logo
a Real est
Carlos, dando um
m do outro, beijando-s
o cheg
vidro, e entalando-o emfim no olho. Caramba! Tu vens esplendido d'esses Londres, d'essas civi
abra?ando-
vens tu, d
O figado, o ba?o, uma infinidade de visceras compromet
do Ega em Lisboa... Ega vinha para sempre. Tinha dito do alto
ga julho, e apparece nos arredores uma epidemia de anginas. Um horror, creio que vocês lhe chamam diphtericas... A mam? salta immediatamente à conclus?o que é a minha presen?a, a presen?a do atheo, do demagogo, sem jejuns e sem missa, que offendeu Nosso Senhor e attrahiu o flagello. Minha irm? concorda
epide
me?ando a puxar devagar dos dedos m
a frisada na testa; e na gravata de setim uma ferradura de opalas! Era outro Ega, um Ega dandy, vistoso, parament
extraordin
lli?a, uma sumptuosa pelli?a de principe russo, agasalho de trenò e de neve, ampla, longa, com alamares trespassados á Br
o-se, abrindo-a, exhibindo a opulencia do forro. M
s tu suppo
ada, mas tenho a
do o sapato de verniz muito bicudo, e,
conta-me lá... Te
s, de altas idéas de trabalh
terrompendo-o, erguendo-se para ir apalpar o velludo dos r
illa?a é que
astos bolsos da pelli?a, inventaria
ma, é a c?r esthetica... Tem a sua express?o propria, ent
doentes, de vagar, de luneta
Carlos! O papel é bonito..
Rouen, interessou-o. Queria saber o pre?o de tudo; e diante do piano, olhando
me apparece! A Barcaroll
la jeun
ez-vous
voi
ouco... Era a nos
lama??o, e crusando o
Cohen, que estava tambem na Foz, de quem tu, em cartas successivas, verdadeiros poemas, qu
ga. E limpando negligentemente o
nhecer, um que é director do Banco Nacional... Démos-nos bastante. é sympat
passeiando, puchando o lume
e fazem vocês no Ramalhete? O a
le?o, sempre de rosa ao peito, e frisando ainda os bigodes... Ia o Sequeira, cada vez mais
. Refugiado?
om o sello real da Filandia, que o pobre Villa?a aturdido, para se desembara?ar, remetteu-o ao av?. O av?, desnorteado tambem, offereceu-lhe as cocheiras de gra?a. St
é su
ntleman, enthusiasta da Inglaterra, grande entendedor de vinhos
e ra
Tribunal de Contas: um Cruges, que o Ega n?o conhecia, um diabo adoidad
ha mu
um covil de solteir?es.
. Um apo
temos tambem o Silveirinha, chego
sende, o
ira, ainda um bocado thisico, tod
quilla e solida felicidade que Carlos já n
um cenaculo, uma bohemiasinha dourada, umas soirées de
que tenho ou
l conhecer o Craft! O Craft era simplesmen
, uma especi
forte como a de Craft, n?o podia explical-a sen?o pela doidice. O Craft era um rapaz extraordinario!... Agora tinha elle cheg
iante do Po
, um Nababo, que lhe deixou a fortuna. Uma grande fortuna. Mas n?o negoceia, nem sabe o que isso é. Dá largas ao seu temperamento byroneano, é o que faz. Tem viajado por todo o universo, collecciona obras d'arte,
enta pelli?a, e apparec
nada por baixo? excla
para o effeito moral, para impressionar o
anisava-se um Cenaculo, um Decameron d'arte e dilletantismo, rapazes e mulheres-tres ou
ico: uma n?o tinha creada e queria levar comsigo para a festa uma tia e cinco filhos; outra temia que, acceitando, o brazileiro lhe tirasse a mezada; uma consentiu, mas o amante, quando soube, deu-lhe uma có?a. Esta n?o tinha vestido para ir; aquella pretendia que lhe garantissem uma libra; houve uma que se escandaliso
tens t
industrias, modas, maneiras, pilherias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilisa??o custa-nos carissima com os direitos da alfandega: e é em segunda m?o, n?o foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas
r ao vibrar as suas grandes phrases, n'uma lucta constante com o monocolo, que lhe caía do olho, que elle procurava pelo peito, pelos hombros, pelos rins, retorcendo-se, deslocando
pelissa, sepultou-se n'ella, agu?ou o bigode ao espelho, verificou a pose,
hava esplendido e o ia segui
sal, esse
ersal, queria que elle
me co
vaes hoje lá j
tido com a besta do Cohen..
, voltou-se, entalou o m
o dizer-te, vou pu
mpto? exclamou C
ado, á broc
ro do Ega como devendo iniciar, pela fórma e pela idéa, uma evolu??o litteraria. Em Lisboa (onde elle vinha passar as ferias e dava ceias no Silva) o livro f?ra annunciado como um acontecimento. Bachareis, contemporaneos ou seus condiscipulos
eira folha de planta que surgiu da crosta ainda molle do globo. Desde ent?o, viajando nas incessantes transforma??es da substancia, o atomo do Ega entrava na rude structura do Orango, pae da humanidade-e mais tarde vivia nos labios de Plat?o. Negrejava no burel dos santos, refulgia na espada dos heroes, palpitava no cora??o dos poetas. Gota de agua nos lagos de Galiléa, ouvira o fallar de Jesus, aos fins da tarde, quando os apostolos recolhiam as redes; nó de madeira na tribu
ma B