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Os fidalgos da Casa Mourisca Chronica da aldeia

Chapter 3 No.3

Word Count: 5547    |    Released on: 06/12/2017

mais completo de fazende

ue descreve melhor o homem; no physico, a for?a e

tumes laboriosos de tempos mais arduos. Tudo lhe corria pelas m?os, a tudo superintendia. Antes de almo?ar já elle havia passado revista á Herdade toda. No decurso do dia montava a cavallo e lá ia inspec

tendia-se até á cidade, onde o seu nome era melhor garantia em certas transac??es, do que o de muitos faustosos negociantes. Em familia, pe

ainda Thomé aos diversos trabalhos, em que

s desde a infancia se familiarisam com elle. Dá-se o mesmo que se dá com o tracto dos bois; sómente na cidade é que e

-se, ria-se e cantava-se com alma

usto; e da porta da casa, assistindo tambem áquella scena rural, a boa e sancta mulher do fazendeiro, a socia fiel nos seus prazeres e pe

r causa de muro que cahiu? Olhe, tenha paciencia, volte cá ámanh?. Hoje n?o posso olhar por isso... ó Chico Engeitado, que diabo estás tu fazendo, pateta? Deixa-me estar essas pipas. Vae-me recolher aquelle milho que eu te disse; corre... O moleiro já veio? Pois as azenhas já moem, e o homem n?o tem desculpas que dê pela demora... ó Manoel, arreda esse carro mais para o meio, sen?o n?o póde entrar o outro, homem de Deus! Disseram ao Luiz que visse como estava o milho da baixa do

ado de ordens, de consel

rompido pela voz da

é, olha que

quinteiro viera, cumprindo o que tinha dito ao irm?o, contemplar o me

do homem que f?ra seu criado. A granja era como que uma censura pungente á sua imprevidencia; era uma li??o

da Casa Mourisca, e principalmente por D. Luiz, certa deferencia e respeito,

em terrenos da Herdade, serviu-lhe para o intento. D. Luiz, sempre indifferente a litigios d'essa ordem, mostrou-se ent?o muito cioso de seu

a do homem que os trouxera ao collo e que lhes qu

ossuia bastante finura para perceber a verdadeira causa da irrita??o do f

eu lhe fa?a? assim nasc

dar signaes de estranheza, caminhou para elle com as m?os este

casa de lavrador, e em setembro n?o ha maneira de a ter asseada. ó Luiza, m

car aqui. E n?o se incommo

o tem geito. Luiza, manda ent?o a cadeira,

de perto esta lida, que por aqui vae, e que estive obse

pre me dá alegria ver aquelles meninos,

agarradas ás pernas do pae, olh

ou Jorge, afagando-as e

raz ao collo e a peque

rtha. Deve est

sa. Olhe que o meu vinho é puro e n?o faz mal de q

e?o-lhe que continue com o seu trabalho, s

d'aqui a nada vae esta gente jantar e... Para onde levas tu esse carro,

lle proprio á frente dos bois, e enca

s este anno, que é uma coisa por maior, snr. Jorge-disse elle, regr

uma cadeira para

iosidade e complacencia-e o mano como vae? Vi-o ha dias

, snr. Jorge?-pergun

ados da lavoura, a quem de quando em quando Thomé dava ordens e fazia

rdam aos fieis a ora??o do meio dia. O trabalho na eira e no quinteiro suspendeu-se como por encanto. Os homens descobriram-se a fa

am ja

ordem, e em pouco tempo ficou só e silencios

r, Thomé-disse Jorge, l

a um tempo. Deixe-se o menino estar. Eu n?o lhe offere?o do meu jantar, porque n?o

o causar i

que elles hoje trabalharam no p

tras partes do casal, Thomé obrigou Jorge

zira, quanto despendêra na construc??o do lagar, as difficuldades que encontrou na abertura da nora, o que fizera pouco productiva aquelle anno a cultura do trigo, os cuidados que lhe

pouco acostumado a vêr as pessoas da categoria de Jorge, e da idade d'elle ainda menos, inte

l de um proprietario. Havia n'ellas uma precis?o, uma minuciosidade; acompanhavam-n'as reflex?es t?o acertadas, duvidas t?o racionaes,

va Thomé, que proseguia co

r uma propriedade como aquella no ponto de cultura em que estava

mentos; por isso deu com a melhor vontade

e terminou com um suspiro, disse, como a medo, e desviando a cabe

que nos pertencem est?o cheios

le um olhar penetrante. Porque o fazendeiro tinha ás vezes u

rge?-perguntou elle logo depois, com

ro,

egr?o de Villar de Corvos, o fidalgo da Cas

gadoramente para Th

e, até hoje, o menino n?o me perguntava depois porque os seus campos est?o cheios de serralha e de saramagos. Trabalhei muito, snr. Jorge, n?o é só com agua que se regam estas terras para as ter no ponto em que as vê; é com o suor do rosto de um homem. é preciso

aram muito com a lavoura; passaram a vida quasi toda na c?rte e nas embaixadas, e raras vezes visitaram as sua

e amanh? ser?o os meninos. Isto é como uma pessoa robusta que leva vida extravagante. Emquanto é nova e tem muitas for?as, n?o dá por as que perde e julga que nada l

ilegiadas podiam entregar-se sem receio a uma vida de incuria e de dissipa??o, porque os privilegios velavam por ellas e remedia

interlocutor, interrompeu-as subitamente, e apontando para a Ca

sivel sustentar aquel

iu com uma express?

omem de trabalho, que possa disp?r d'alguns

llas arvores-observou Jorge, olhando com tristeza para o seu m

ue tambem lhes tenho affei??o, áquelle arvoredo e áquellas paredes negras, porque alli passei um tempo... mau era elle de certo... mas emfi

amargura e quasi de ironia, quando, depois d'esta resp

á familia de um lavrador abastado, para vêres reparados os teus muros, e cultivados esses campos ma

ta express?o d'estas palavr

paes, que Deus inspire um dos teus donos, para que olhe por se

pobres vêem ás vezes morrer um doente, por

livre-se da praga dos seus mordomos e procuradores, deixe o padre dizer missas, mal ou bem, conforme puder, porque isso é lá com Deus e elle, fa?a tudo isto e os capitaes n?o lhe faltar?o. O homem

Thomé?-perguntou Jorge, mas s

m condi??es de poder por elle alliviar-se um homem de dividas mais pesadas e de credores mal intencionados, e resgatar e melhorar a propriedade. Ha muito que a sua casa vive d'isso, mas a taes portas tem ido bater e t?o mau uso tem feito do

arantias a offerecer, o emprestimo é be

probidade?... Sabe que mais? Eu sempre lhe vou contar a

sombra da ramada que toldava a nora, na

dinheirito, que juntára, em arrendar um casebre e uma horta, da qual, lidando do romper do dia até á noite, tirava quando muito o p

m s

mo, mas pagando pontualmente o nosso aluguel e sem ficar a dever nada na tenda. O meu senhorio era um homem muito rico e muito de bem. Deus

ho uma ide

idade. Foi uma coisa de fazer dó. Nem gota de agua, as fontes sêcas, as levadas enxutas, os moinhos parados, e os lavradores a agarrarem as

o mesmo a si

era coisa que chegasse. Como ha de ser, como n?o ha de ser, eis que a minha Luiza, que sempre foi boa companheira, me diz: ?N?o te afflijas, homem; ahi v?o as minhas arrecadas, pega?, e atirou-m'as para cima dos cruzados. Lá me custav

e

eiro, que me puz a contar e a encastellar. O homem estava calado a vêr aquillo. Quando cheguei ao fim olhou para mim d'uma certa maneira e disse-me: ?Ent?o está ahi tudo?? Está, sim senhor, v. s.a n?o viu? ?E você quer-me dar tanta coisa?? D'esta vez fui eu que me puz a olhar para elle admirado. ?Ent?o n?o é este o pre?o ajustado no arrendamento?? ?é celebre, disse o snr. doutor abanando a cabe?a, é o primeiro rendeiro

amou Jorge commov

cont

ocê é trabalhador, que isso tenho eu visto por a maneira porque me traz bem aproveitado o campito qu

a elle diz

ue arranjou credito, que vale por um capital enorme. O que você fez, mostr

e?-perguntou Jorge, c

e a quinta das Barrocas? aquillo é um condado, se póde dizer. Como havia eu de arrendal-a, Sancto Deus! Elle, conhecendo o meu espanto, acudiu logo: ?N?o lhe pare?a isso uma coisa por ahi além. Nós ajustamos a renda e você vae tomar conta d'aquillo. A quinta está bem educada e nutrida, e estou certo de que n?o o deixará ficar mal no fim do anno.? ?Mas, disse-lhe eu, v. s.a bem vê que uma pe?a d'a

um grande philosop

s para instrumentos, gado, adubos, jornaleiros e algumas obras, eu lh'os adiant

Thomé

ra??o de aveia que lhe furtares da mangedoura é a que mais cara te sahe.? Mais tarde, quando eu, com a ajuda de Deus, já ia, além de pagar as minhas dividas a pouco e pouco, juntando algum peculio no canto da caixa, foi elle que me disse: ?N?o abafes o dinheiro, Thomé. P?e-n'o ao ar para elle se n?o estragar; tudo quer ar n'este mundo.? E ahi me animei eu, ao principio com mêdo, que fui perdendo depois, a dar emprego ás minhas economias; e era um gosto vêr como ellas augmentavam. Passados annos eram taes, que já eu pensava em

nal sempr

doutor ajudou-me mais uma vez, e a propriedade passou para as minhas m?os. Ent?o trabalhei mais do que nunca. Todo o meu empenho era remir depressa a minha divida, porque, emquanto o n?o fizesse, parecia-me que n?o podia chamar ainda

de Thomé da Povoa de um clar?o de enthusiasmo e com as faces c

e pertencia. Vae rir-se, se eu lhe disser o que fiz. Eu abracei estas arvores, eu bati palmadas n'estes muros, lavei-me n'esses tanques todos, bebi agua d'essas fontes, deitei-me á sombra d'essas arvores, eu cantei, eu saltei, eu chorei, e a final.... quer que lhe diga? N?o tive m?o em mim que n?o ajoelhasse para beijar esta terra! beijei, sim, beijei esta terra, que eu ganhára á custa de muito trabalho, de muito suor e de nenhuma vileza. Tinha orgulho, e tenho-o, em me lembrar de que tudo isto me viera de eu ser honrado e amigo de cumprir a minha palavra. Eu n?o me recordo de ter um contentamento assim na minha vida, a n?o ser no dia em que estreitei nos bra?os a Luiza, e que tambem pela primeira vez lhe cha

?o a Thomé, dizend

r a rninha ultima divida para depois chamar meu ao que me pertence. E n'esse dia eu tambem abra?aria com enthusiasmo aquellas velhas arvo

que se tracta do bem de sua casa, do seu futuro e da sua dignidade. é preciso que o pae lhe dê licen?a

grande, Thomé, porque meu pae ainda vê em mim um

oa n?o o dei

padre, e eu lhe prometto que o mais se fará. Eu n?o exijo mais garantias para o meu dinheiro, do que um escripto seu, snr. Jorge. Demais, como a sua experiencia é pouca, eu, se m'o permi

finalmente c

asa da ruina me dará coragem. Aceito, porque tenho fé em que me

a n'aquella triste casa. N?o é verdade que se diz que ha lá um

nciou n'este momento ao marido

ran?as e de commo??o, que lhe estava já causando a

ito uma boa ac??o e realisado uma ideia, com

o que de costume; e depois de ja

lle momento a su

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Os fidalgos da Casa Mourisca Chronica da aldeia
“Os fidalgos da Casa Mourisca Chronica da aldeia by Júlio Dinis”